Lentes de Contato 09.21

O que eu preciso saber sobre Ceratocone

Quando escutamos sobre esta doença e principalmente quando recebemos este diagnóstico, logo pensamos em transplante de córnea e até em cegueira e este fato, no geral nos deixa marcados, como um peso a ser levado e com final drástico.

De fato, ser portador de ceratocone deve criar em nós algum grau de preocupação, mas temos de saber que os recursos para esta doença avançaram muito em vários sentidos e hoje a absoluta maioria convive bem com o problema, permanecendo com visão boa ou ao menos suficiente para seus afazeres.

Para começar a falar sobre os avanços vou comentar sobre o diagnóstico precoce. Com os aparelhos disponíveis atualmente, o oftalmologista pode perceber o ceratocone com maior antecedência e até mesmo fazer um número maior de diagnósticos. Com o diagnóstico inicial vem a primeira e importantíssima medida de prevenção: não coçar os olhos!!! Isto é fundamental! Além da carga genética, o ato de esfregar os olhos está claramente ligado ao desenvolvimento do ceratocone, inclusive, sendo ele mais comum nas pessoas alérgicas que esfregam os olhos com maior frequência e intensidade. Se você é uma delas, procure um oftalmologista e possivelmente também um alergologista para logo tratar a alergia.

Porém se você está fazendo tudo certo e no seu acompanhamento o problema progredir, o recurso que pode ser utilizado é o Cross-link, que é uma aplicação de Ultravioleta para dar maior resistência a estrutura da córnea.

Quanto à sua acuidade visual temos o seguinte: nos casos iniciais, muitos pacientes não vão nem precisar de óculos, em outros a visão melhora com o simples uso de óculos. No caso de um ceratocone um pouco mais avançado, o seu oftalmologista pode indicar o uso de lentes de contato, um recurso muito usado nestes casos. Existem muitos tipos de lentes de contato para portadores de ceratocone, variando em material e desenho. Novamente aqui existe uma gradação. Em casos iniciais, uma lente gelatinosa comum pode ser suficiente, já em casos moderados ou mais avançados, lentes de contato com desenhos especiais são capazes de dar uma acuidade visual como se você não tivesse a doença. Já há muitos anos se usa lentes de contato Rígidas Gás permeáveis (RGP) para este propósito e eu gostaria aqui de destacar as lentes RGP corneanas atuais, produzidas com altíssima tecnologia, com materiais altamente permeáveis ao oxigênio, desenhos sofisticados produzidas em torno de micrométrica precisão. Cada curva da lente é pensada quanto a efetividade e conforto. Se as lentes RGP corneanas não conseguirem boa adaptação temos também as lentes RGP esclerais. Estas são lentes maiores e, por este motivo, são bastante estáveis e confortáveis nos olhos.

Topografia típica de paciente com Ceratocone                    
Torno Computadorizado de Alta Precisão

Para os pacientes que já não se adaptam com lentes de contato, devemos pensar no recurso de usar o que chamamos de anel intra-estromal, que é um arco implantado dentro da córnea para reforçar sua estrutura, e moderar suas curvas. Muitas vezes depois do anel é possível corrigir o grau residual com uma lente de contato gelatinosa.

Por fim, o transplante de córnea é reservado para casos em que estes recursos para melhorar a acuidade visual já não funcionam, mas devemos lembrar que é uma minoria de casos, portanto, mais vale você se dedicar a fazer o tratamento correto e um bom acompanhamento.

Fonte:

Texto: Dr Luiz Formentin

Especialista em Oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia

Chefe do serviço de Oftalmologia do Hospital Santo Amaro – Guarujá – São Paulo – Brasil

Vice-chefe do setor de Lentes de Contato e Refração do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo

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